15. Que se deve pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade, ou, por outra, que se deve pensar da doutrina panteísta?

Resposta: “Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao menos ser uma parte de Deus.”

VISUALIZAÇÃO DO HOMEM

Certos homens vivem visualizando o seu próprio destino, colocando a própria imagem nos caminhos dos deuses, unificando seus desejos para se tomarem um deus. Estes homens estão certificados dos poderes da Divindade, da sua existência e do seu comando sobre todas as coisas, mas partem do princípio errôneo de que poderão algum dia, no tempo que se chama eternidade, ser um Deus, como, e certamente, o Senhor a quem eles respeitam e obedecem. É tempo que se perde, é cogitação vestida de sonhos irrealizáveis.

No quadro em que se encontra a humanidade, diante das suas necessidades mais prementes, o dever de cada criatura deveria ser o cultivo das virtudes assinaladas pelo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo que, mesmo com a sua gradação espiritual elevada, gastará séculos incontáveis para harmonizar o planeta com as leis do Amor, virtudes essas que são reflexos dos atributos de Deus, recolhidas por Jesus pela Sua sapiência, na universalidade iluminada dos céus, e entregue aos homens pela Sua vivência daquilo que ensinou pela misericórdia divina, o que não deixa de ser a materialização do Amor na Terra.

Apoiamos e incentivamos a visualização dos poderes espirituais, na escala que iremos mencionar: a alegria nos nossos caminhos, o perdão junto aos que nos ofendem e caluniam, o trabalho na altura das nossas forças, a dignidade na altura dos nossos conhecimentos, a fé que comporta os nossos corações, a caridade bem situada e o amor bem compreendido. Eis o princípio da escala que deverão percorrer as nossas visualizações. Mas, nos compararmos com a Divindade é dar vazão ao orgulho e voar com as falsas asas da vaidade. Mais ainda, estaremos indo de encontro às próprias leis que nos regulam o porte espiritual. É a mesma coisa que pretendermos apagar o brilho de uma estrela com os dois dedos que costumamos segurar um palito de fósforo.

Ganhemos tempo! Estamos na era da Luz; busquemo-la em todas as direções para que aquela que o Senhor colocou dentro de nós se acenda em todo o seu esplendor, nos libertando das trevas da ignorância! O pretensioso, quando prepotente, atrofia suas próprias forças e deixa de alcançar no tempo o que deveria: a liberdade de compreender a verdade e viver o ambiente de paz da sua consciência. Sejamos humildes e todos os entendimentos, respeitosos ante as ajudas pá conosco, bons na frente dos que carecem de carinho e justo; com quem caminha conosco, porque aquele que aprimora a si mesmo não tem tempo para devaneios e granjeia amigos pó; onde passa, encontrando amor por onde manifesta seus elevados interesses.

Se os homens desejarem ser parte de Deus, como nos informa “O Livro dos Espíritos”, na resposta número quinze, não é muito melhor nos sentirmos sendo os seus filhos? Nunca faltaram, em tempo algum, as respostas às perguntas que formulamos ao Criador. Elas vêm por muitos meios e cada vez que o tempo passa, o intercâmbio se aperfeiçoa, nos colocando com mais segurança a saber da verdade no seu fulgor mais apurado. Quantos livros não existem na Terra, respondendo perguntas de toda a natureza? Basta procurarmos para encontrarmos. Quantos homens dotados de certos valores estão capacitados a responder sobre variados assuntos e coisas do Espírito? Hoje, só não aprende quem não quer. Começa pensando, prossegue orando e avança para o encontro da verdade que ela te aparecerá com os braços abertos para te libertar. Visualiza a Verdade e o Mestre, que Ele te instruirá dentro das tuas necessidades de viver melhor, no ângulo em que podes viver bem.

Miramez, no livro Filosofia Espírita

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Esforço e oração

“E, despedida a multidão, subiu ao monte a fim de orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.”
(MATEUS,  14:23)

De vez em quando, surgem grupos religiosos que preconizam o absoluto retiro das lutas humanas para os serviços da oração.

Nesse particular, entretanto, o Mestre é sempre a fonte dos ensinamentos vivos. O trabalho e a prece são duas características de sua atividade divina.

Jesus nunca se encerrou a distância das criaturas, com o fim de permanecer em contemplação absoluta dos quadros divinos que lhe iluminavam o coração, mas também cultivou a prece em sua altura celestial.

Despedida a multidão, terminado o esforço diário, estabelecia a pausa necessária para meditar, à parte, comungando com o Pai, na oração solitária e sublime.

Se alguém permanece na Terra, é com o objetivo de alcançar um ponto mais alto, nas expressões evolutivas, pelo trabalho que foi convocado a fazer.

E, pela oração, o homem recebe de Deus o auxílio indispensável à santificação da tarefa.

Esforço e prece completam-se no todo da atividade espiritual.

A criatura que apenas trabalhasse, sem método e sem descanso, acabaria desesperada, em horrível secura do coração; aquela que apenas se mantivesse genuflexa, estaria ameaçada de sucumbir pela paralisia e ociosidade.

A oração ilumina o trabalho, e a ação é como um livro de luz na vida espiritualizada.

Cuida de teus deveres porque para isso permaneces no mundo, mas nunca te esqueças desse monte, localizado em teus sentimentos mais nobres, a fim de orares “à parte”, recordando o Senhor.

Renascer

Deplorável engano esperar alguém por nova reencarnação, a fim de melhorar-se. A entrada de nossa alma na luta humana é como que o ingresso do aluno do amor e da sabedoria, em novas fases de aprimoramento na grande escola da Terra.

E, se vemos a árvore renascer da semente, em trabalho metódico, e se observamos o tempo ressurgir, em cada novo dia, é fácil reconhecer a nossa privilegiada posição de criaturas conscientes, no círculo das possibilidades de renascimento espiritual em qualquer ocasião.

Se a vontade bem dirigida é a bússola de nossa embarcação no mar das provas edificantes, podemos, em verdade, renascer, cada hora…

Da incerteza para a confiança.

Do desalento para a coragem.

Da tristeza para a alegria.

Da fadiga para o bom ânimo.

Da sombra para a luz.

Do mal para o bem.

Da perturbação para o equilíbrio,

Da dor para a felicidade.

Da discórdia para a paz.

Da violência para a harmonia.

Do ruído para o silêncio.

Do ódio para o amor.

Renascimento de hoje, porém, indica a morte da véspera.

Se não aprendemos a ceder, em silêncio, apagando os nossos impulsos de dominação individualista, quando se cala a semente na cova escura, morrendo para reviver no pão que enriquece o celeiro, será sempre difícil a nossa renovação.

Usando o amor e a humildade, no clima do serviço incessante, encontraremos, cada dia, mil recursos de recomeçar a nossa jornada, com bases no Infinito Bem.

Cada qual de nós possui o tesouro do coração, do cérebro, do verbo, dos braços…

Se quisermos empregar semelhantes patrimônios, na transformação dos valores que nos cercam, convertendo a nossa fé em motivo de trabalho santificador, em todos os momentos da vida, permaneçamos convictos de que estamos no renascimento constante, a caminho da perfeição crescente, que nos outorgará o direito às mais vastas compensações da Vida Universal.

Emmanuel

Multidões

“Tenho compaixão da multidão”
(MARCOS 8:2)

Os espíritos verdadeiramente educados representam, em todos os tempos, grandes devedores à multidão.

Raros homens, no entanto, compreendem esse imperativo das leis espirituais.

Em geral, o mordomo das possibilidades terrestres, meramente instruído na cultura do mundo, esquiva-se da massa comum, ao invés de ajudá-la. Explora-lhe as paixões, Mantém-lhe a ignorância e costuma roubar-lhe o ensejo de progresso. Traça leis para que ela pague os impostos mais pesados, cria guerras de extermínio, em que deva concorrer com os mais elevados tributos de sangue. O sacerdócio organizado, quase sempre, impõe-lhe sombras, enquanto a filosofia e a ciência lhe oferecem sorrisos
escarnecedores.

Em todos os tempos e situações políticas, conta o povo com escassos amigos e adversários em legiões.

Acima de todas as possibilidades humanas, entretanto, a multidão dispõe do Amigo Divino.

Jesus prossegue trabalhando.

Ele, que passou no Planeta entre pescadores e proletários, aleijados e cegos, velhos cansados e mães aflitas, volta-se para a turba sofredora e alimenta-lhe a esperança, como naquele momento da multiplicação dos pães.

Lembra-te, meu amigo, de que és parte integrante da multidão terrestre.

O Senhor observa o que fazes.

Não roubes o pão da vida; procura multiplicá-lo.

Emmanuel, Vinha de Luz, psicografia de Francisco Cândido Xavier

O homem no mundo

Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração daqueles que se reúnem sob o olhar do Senhor, implorando a assistência dos Bons Espíritos. Purificai, portanto, os vossos corações.Não deixeis que pensamentos fúteis ou mundanos os perturbem. Elevai o  vosso espírito para aqueles a quem chamais, a fim de que eles possam, encontrando em vós as disposições favoráveis, lançar em profusão as sementes que devem germinar os vossos corações, para neles produzir os frutos da caridade e da justiça.

Não penseis, porém, que aos vos exortar incessantemente à prece e à evocação mental, queiramos levar-vos a viver uma vida mística, que vos mantenha fora das leis da sociedade em que estais condenados a viver. Não. Vivei com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens; sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às frivolidades de cada dia, mas fazei-o com um sentimento de pureza que as possa santificar.

Fostes chamados ao contato de espíritos de naturezas diversas, de caracteres antagônicos: não melindreis a nenhum daqueles com quem vos encontrardes. Estai sempre alegres e contentes, mas com a alegria de uma boa consciência e a ventura do herdeiro do céu, que conta os dias que o aproximam de sua herança.

A virtude não consiste numa aparência severa e lúgubre, ou em repelir os prazeres que a condição humana permite. Basta referir todos os vossos atos ao Criador, que vos deu a vida. Basta, ao começar ou acabar uma tarefa, que eleveis o pensamento ao Criador, pedindo-lhe, num impulso da alma, a sua proteção para executá-la ou a sua benção para a obra acabada. Ao fazer qualquer coisa, voltai vosso pensamento à fonte suprema; nada façais sem que a lembrança de Deus venta purificar e santificar os vossos atos.

A perfeição, como disse o Cristo, encontra-se inteiramente na prática da caridade sem limites, pois os deveres da caridade abrangem todas as posições sociais, desde a mais íntima até a mais elevada. O homem que vivesse isolado não teria como exercer a caridade. Somente no contato com os semelhantes, nas lutas mais penosas, ele encontra a ocasião de praticá-la. Aquele que se isola, portanto, priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de perfeição: só tendo de pensar em si, sua vida é a de um egoísta. 

Não imagineis, portanto, que para viver em constante comunicação conosco, para viver sob o olhar do Senhor, seja preciso entregar-se ao cilício e cobrir-se de cinzas. Não, não, ainda uma vez: não! Sede felizes no quadro das necessidades humanas, mas que na vossa felicidade não entre jamais um pensamento ou um ato que possa ofender a Deus, ou fazer que se vele a face dos que vos amam e vos dirigem.

Um Espírito Protetor, Bordeaux, 1963
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII