Cada qual

“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” – Paulo (I Coríntios 12:4)

Em todos os lugares e posições, cada qual pode revelar qualidades divinas para a edificação de quantos com ele convivem.

Aprender e ensinar constituem tarefas de cada hora, para que colaboremos no engrandecimento do tesouro comum de sabedoria e de amor.

Quem administra, mais frequentemente pode expressar a justiça e a magnanimidade.

Quem obedece, dispõe de recursos mais amplos para demonstrar o dever bem cumprido.

O rico, mais que os outros, pode multiplicar o trabalho e dividir as  bênçãos.

O pobre, com mais largueza, pode amealhar a fortuna da esperança e da dignidade.

O forte, mais facilmente, pode ser generoso, a todo instante.

O fraco, sem maiores embaraços, pode mostrar-se humilde, em quaisquer ocasiões.

O sábio, com dilatados cabedais, pode ajudar a todos, renovando o pensamento geral para o bem.

O aprendiz, com oportunidades multiplicadas, pode distribuir sempre a riqueza da boa-vontade.

O são, comumente, pode projetar a caridade em todas as direções.

O doente, com mais segurança, pode plasmar as lições da paciência no ânimo geral.

Os dons diferem, a inteligência se caracteriza por diversos graus, o merecimento apresenta valores múltiplos, a capacidade é fruto do esforço de cada um, mas o Espírito Divino que sustenta as criaturas é substancialmente o mesmo.

Todos somos suscetíveis de realizar muito, na esfera de trabalho em que nos  encontramos.

Repara a posição em que te situas e atende aos imperativos do Infinito Bem. Coloca a Vontade Divina acima de teus desejos, e a Vontade Divina te aproveitará.

Emmanuel, Fonte Viva, psicografia de Francisco Cândido Xavier

Examina-te

“Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade.” –
Paulo (Filipenses 2:3)

O serviço de Jesus é infinito. Na sua órbita, há lugar para todas as criaturas e para todas as ideias sadias na sua expressão substancial.

Se, na ordem divina, cada árvore produz segundo a sua espécie, no trabalho cristão, cada discípulo contribuirá conforme sua posição evolutiva.

A experiência humana não é uma estação de prazer. O homem permanece
em função de aprendizado e, nessa tarefa, é razoável que saiba valorizar a
oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.

O apóstolo Paulo compreendeu essa verdade, afirmando que nada deveremos fazer por espírito de contenda e vanglória, mas, sim, por acto de humildade.

Quando praticares alguma acção que ultrapasse o quadro das obrigações diárias, examina os móveis que a determinaram. Se resultou do desejo injusto de supremacia, se obedeceu somente à disputa desnecessária, cuida de teu coração para que o caminho te seja menos ingrato. Mas se atendeste ao dever, ainda que hajas sido interpretado como rigorista e exigente, incompreensivo e infiel, recebe as observações indébitas e passa adiante.

Continua trabalhando em teu ministério, recordando que, por servir aos
outros, com humildade, sem contendas e vanglórias, Jesus foi tido por
imprudente e rebelde, traidor da lei e inimigo do povo, recebendo com a cruz a
coroa gloriosa.

Emmanuel, Caminho, Verdade e Vida, psicografia de Francisco Cândido Xavier

O necessário

“Mas uma só coisa é necessária.” (LUCAS, 10:42.)

Terás muitos negócios próximos ou remotos, mas não poderás subtrair-lhes o carácter de lição, porque a morte te descerrará realidades com as quais nem sonhas de leve…

Administrarás interesses vários, entretanto, não poderás controlar todos os ângulos do serviço, de vez que a maldade e a indiferença se insinuam em todas as tarefas, prejudicando o raio de ação de todos os missionários da elevação.

Amealharás enorme fortuna, todavia, ignorarás, por muitos anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro.

Improvisarás pomposos discursos, contudo, desconheces as consequências de tuas palavras.

Organizarás grande movimento em derredor de teus passos, no entanto, se não construíres algo dentro deles para o bem legítimo, cansar-te-ás em vão.

Experimentarás muitas dores, mas, se não permaneceres vigilante no aproveitamento da luta, teus dissabores correrão inúteis.

Exaltarás o direito com o verbo indignado e ardoroso, todavia, é provável não estejas senão estimulando a indisciplina e a ociosidade de muitos.

“Uma só coisa é necessária”, asseverou o Mestre, em sua lição a Marta, cooperadora dedicada e activa.

Jesus desejava dizer que, acima de tudo, compete-nos guardar, dentro de nós mesmos,  uma atitude adequada, ante os desígnios do Todo-Poderoso, avançando, segundo o roteiro que nos traçou a Divina Lei. Realizado esse “necessário”, cada acontecimento, cada pessoa e cada coisa se ajustarão, a nossos olhos, no lugar que lhes é próprio. Sem essa posição espiritual de sintonia com o Celeste Instrutor, é muito difícil agir alguém com proveito.

Emmanuel, Vinha de Luz, psicografia de Francisco Cândido Xavier

Na grande romagem

“Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber  por herança; e saiu, sem saber para onde ia”. – Paulo (HEBREUS 11:8)

Pela fé, o aprendiz do Evangelho é chamado, como Abraão, à sublime herança que lhe é destinada.

A conscrição atinge a todos.

O grande patriarca hebreu saiu sem saber para onde ia…

E nós, por nossa vez, devemos erguer o coração e partir igualmente.

Ignoramos as estações de contacto na caminhada enorme, mas estamos informados de que o nosso objectivo é Cristo Jesus.

Quantas vezes seremos constrangidos a pisar sobre espinheiros da calúnia?

Quantas  vezes transitaremos pelo trilho escabroso da incompreensão?

Quantos aguaceiros de lágrimas nos alcançarão o espírito?

Quantas nuvens estarão interpostas, entre o nosso pensamento e o Céu, em largos trechos da senda?

Insolúvel a resposta. Importa, contudo, marchar sempre, no caminho interior da própria redenção, sem esmorecimento.

Hoje, é o suor intensivo; amanhã, é a responsabilidade; depois, é o sofrimento e, em  seguida, é a solidão…

Ainda assim, é indispensável seguir sem desânimo.

Quando não seja possível avançar dois passos por dia, desloquemo-nos para diante, pelo menos, alguns milímetros…

Abre-se a vanguarda em horizontes novos de entendimento e bondade, iluminação espiritual e progresso na virtude.

Subamos, sem repouso, pela montanha escarpada:

Vencendo desertos…
Superando dificuldades…
Varando nevoeiros…
Eliminando obstáculos…

Abraão obedeceu, sem saber para onde ia, e encontrou a realização da sua felicidade.
Obedeçamos, por nossa vez, conscientes de nossa destinação e  convictos de que o Senhor nos espera, além da nossa cruz, nos cimos  resplandecentes da eterna ressurreição.

Emmanuel, Fonte Viva, psicografia de Francisco Cândido Xavier

 

Segue-me tu

“Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.” (JOÃO, 21:22)

Nas comunidades de trabalho cristão, muitas vezes observamos companheiros altamente preocupados com a tarefa conferida a outros irmãos de luta.

É justo examinar, entretanto, como se elevaria o mundo se cada homem cuidasse de sua parte, nos deveres comuns, com perfeição e sinceridade.

Algum de nossos amigos foi convocado para obrigações diferentes? Confortemo-lo com a legítima compreensão.

Às vezes, surge um deles, modificado ao nosso olhar. Há cooperadores que o acusam.  Muitos o consideram portador de perigosas tentações. Movimentam-se comentários e julgamentos à pressa.

Quem penetrará, porém, o campo das causas? Estaríamos na elevada condição daquele que pode analisar um acontecimento, através de todos os ângulos? Talvez o que pareça queda ou defecção pode constituir novas resoluções de Jesus, relativamente à redenção do amigo que parece agora distante.

O Bom Pastor permanece vigilante. Prometeu que das ovelhas que o Pai lhe confiou nenhuma se perderá.

Convém, desse modo, atendermos com perfeição aos deveres que nos foram atribuídos.

Cada qual necessita conhecer as obrigações que lhe são próprias. Nesse padrão de conhecimento e atitude, há sempre muito trabalho nobre a realizar.

Se um irmão parece desviado aos teus olhos mortais, faze o possível por ouvir as palavras de Jesus ao pescador de Cafarnaum: “Que te importa a ti? Segue-me tu.”

Emmanuel, Caminho, Verdade e Vida, psicografia de Francisco Cândido Xavier